🕒 Página criada e revisada em 30 de julho de 2026, com as tabelas oficiais do ano fiscal 2026.

Aposentadoria

Nenkin: quanto você recebe de volta ao sair do Japão

Todo mês sai um desconto de aposentadoria do seu salário. Se você voltar pro Brasil, parte desse dinheiro pode voltar pra você — mas existe uma escolha aí que quase ninguém explica, e ela pode valer alguns milhões de ienes.

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Você pode pedir de volta uma parte do que pagou, quando sair do Japão de vez. Isso se chama dattai ichijikin.

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Mas esse resgate paga no máximo 5 anos de contribuição — mesmo se você trabalhou 10 anos aqui.

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E ele apaga todo o seu tempo no Japão. Você perde o direito à aposentadoria japonesa pra sempre.

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Responda quatro coisas e veja os dois caminhos lado a lado, com números. Não precisa de cadastro e leva um minuto.

Conte os anos em que saiu desconto de aposentadoria do salário, ou em que você pagou o carnê do nenkin. Não sabe? Veja no nenkin teiki bin (envelope que chega pelo correio) ou peça seu histórico num escritório do nenkin — é grátis.

Sim, em empresadesconto vinha no holerite
Nãoautônomo, ou pagava carnê

Se o desconto aparecia no holerite (厚生年金), marque a primeira. Se você pagava boleto por conta própria (国民年金), marque a segunda.

A média de todos os anos que você trabalhou. Se variou muito, use um valor aproximado do meio.

Carteira assinada, autônomo, MEI — qualquer tempo registrado no INSS, antes de vir ou depois de voltar. Se nunca contribuiu, deixe zero.

O que é o nenkin, explicado como pra um amigo

Você já viu no seu holerite um desconto chamado 厚生年金 (kōsei nenkin). Todo mês ele sai do seu salário, e talvez você nunca tenha sabido pra onde vai.

Vai pra aposentadoria japonesa. É o mesmo princípio do INSS no Brasil: você paga agora e, quando ficar velho, o governo te paga todo mês.

Uma coisa boa que pouca gente sabe: a empresa paga metade. A alíquota total é 18,3% do salário — mas você só paga 9,15%. Os outros 9,15% saem do bolso da empresa. Então, de cada ¥100 que entram na sua aposentadoria, só ¥50 saíram de você.

O problema é que a maioria dos brasileiros vai embora antes de completar o tempo mínimo. E aí vem a dúvida que provavelmente te trouxe até aqui: e o dinheiro que eu paguei todo esse tempo?

Os dois tipos de nenkin

São dois. Você provavelmente pagou um deles — ou os dois, em fases diferentes da vida.

厚生年金 · Kōsei nenkin

Quem trabalha em empresa

  • Sai descontado direto do holerite.
  • Custa 18,3% do salário, e a empresa paga metade — você paga 9,15%.
  • Quanto maior o salário, mais você paga e mais aposentadoria acumula.
  • Vale pra seishain e pra haken. Não importa o visto.

国民年金 · Kokumin nenkin

Quem não tem empresa

  • Você paga por conta própria, com carnê ou débito.
  • É um valor fixo: ¥17.920 por mês em 2026.
  • Ninguém paga metade — sai tudo de você.
  • Se a renda é baixa, dá pra pedir isenção na prefeitura.

Nunca deixe de pagar sem pedir isenção

Mês não pago é mês que não conta em lugar nenhum — nem pro resgate, nem pra aposentadoria. Se você está sem dinheiro, vá na prefeitura e peça o menjo (isenção). Mês isento conta parcialmente. Mês em atraso não conta nada.

Quanto você recebe de volta se voltar pro Brasil

Esse resgate tem nome: dattai ichijikin (脱退一時金).

Pra ter direito, você precisa cumprir tudo isto:

  • Não ser cidadão japonês
  • Ter contribuído pelo menos 6 meses
  • Não ter completado os 10 anos que dão direito à aposentadoria
  • Já não morar mais no Japão
  • Pedir dentro de 2 anos depois de sair

Se você pagava kokumin nenkin (por conta própria)

O valor é fixo por faixa de tempo. Estes são os valores oficiais pra quem fez o último pagamento entre abril de 2026 e março de 2027:

Tempo que você pagouVocê recebe
6 meses a 1 ano¥53.760
1 ano a 1 ano e meio¥107.520
2 anos¥215.040
3 anos¥322.560
4 anos¥430.080
5 anos ou mais¥537.600 — e para de subir aqui

Se você pagava kōsei nenkin (pela empresa)

Aqui depende do seu salário. A conta é média do seu salário × uma taxa, e a taxa vem desta tabela:

Tempo de contribuiçãoTaxa
6 meses a 1 ano0,5
2 anos2,2
3 anos3,3
4 anos4,4
5 anos ou mais5,5 — e para de subir aqui

Na prática, com números:

O José trabalhou 7 anos numa fábrica em Hamamatsu, ganhando em média ¥280.000 por mês.

Conta do resgate: ¥280.000 × 5,5 = ¥1.540.000.

Parece muito dinheiro. E é. Mas guarde esse número — daqui a pouco ele vai te fazer pensar duas vezes.

⚠️ A escolha que ninguém te conta

Repare em duas coisas nas tabelas acima:

1. O resgate para de crescer em 5 anos. Quem trabalhou 5 anos recebe o mesmo que quem trabalhou 7, 10 ou 15. Todo tempo além de 5 anos, no resgate, vale zero.

2. Ao receber o resgate, todo o seu tempo no Japão é apagado. Não fica registrado, não conta em nada, não volta atrás. É como se você nunca tivesse contribuído.

Junte as duas e você entende o problema: o resgate paga no máximo 5 anos, mas apaga todos os anos que você tem.

E aí entra a parte que muda tudo.

O acordo Brasil-Japão: some o tempo dos dois países

Desde 2012 existe um acordo previdenciário entre Brasil e Japão. Ele resolve um problema simples: quem trabalhou nos dois países acabava sem aposentadoria em nenhum, porque não completava o mínimo em nenhum dos dois.

Com o acordo, o tempo dos dois países se soma pra você atingir o mínimo. O Japão exige 10 anos. Então:

Voltando ao José:

Ele tem 7 anos no Japão. Antes de vir, trabalhou 3 anos de carteira assinada no Brasil.

7 + 3 = 10 anos. Ele tem direito à aposentadoria japonesa.

Isso significa cerca de ¥23.000 por mês, pelo resto da vida, quando ele chegar na idade.

Em 20 anos recebendo, dá mais de ¥5.500.000 — mais de três vezes e meia o valor do resgate.

Se o José tivesse pegado os ¥1.540.000 na saída, ele teria jogado esses ¥5.500.000 no lixo. E o pior: sem saber que estava fazendo essa escolha.

⚠ Um detalhe importante do acordo

O tempo brasileiro serve pra você ganhar o direito ao benefício — não pra aumentar o valor. O Japão calcula quanto pagar olhando só os meses contribuídos no Japão. O tempo brasileiro conta pra sua aposentadoria brasileira, no INSS. Ou seja: você não recebe duas vezes pelo mesmo tempo, mas passa a ter direito nos dois lugares.

Pra usar o acordo você precisa do certificado de tempo de contribuição japonês. Peça no escritório do nenkin antes de sair do Japão, ou depois pelo consulado. É esse papel que você entrega no INSS.

Então quando o resgate vale a pena?

Não estou dizendo que resgate é sempre errado. Ele faz sentido em algumas situações:

  • Você tem pouco tempo no Japão — 1 ou 2 anos — e nenhum tempo de INSS no Brasil. Você não chegaria aos 10 anos de jeito nenhum, e dinheiro parado não te serve.
  • Você precisa do dinheiro agora, de verdade. Aposentadoria daqui a 30 anos não paga conta de hoje. Essa é uma decisão legítima — só precisa ser consciente.
  • Você tem certeza de que nunca mais volta e não vai contribuir no Brasil.

Mas se você tem 5 anos ou mais no Japão, ou tem tempo de INSS que te leve perto dos 10 somados, faça a conta antes. É pra isso que serve a calculadora lá em cima. 👆

Como pedir o resgate, passo a passo

Se depois de fazer a conta você decidir pelo resgate, é assim:

  1. Antes de sair do Japão: pegue o formulário de dattai ichijikin no escritório do nenkin, ou baixe no site do Japan Pension Service. E dê baixa no seu endereço na prefeitura (tenshutsu todoke).
  2. Junte os documentos: cópia do passaporte mostrando a saída do Japão, cópia da caderneta do nenkin ou do cartão My Number, e os dados da sua conta bancária no Brasil — com o nome do titular igual ao do passaporte.
  3. Envie de fora do Japão. Isso é obrigatório: o pedido só vale se você já não tiver endereço registrado aqui.
  4. Espere. Costuma levar alguns meses. O valor cai na conta com desconto de 20,42% de imposto — e esse imposto você pode pedir de volta depois, nomeando um representante fiscal no Japão.

Prazo: 2 anos, e ele não perdoa

Você tem 2 anos contados da data em que deixou de ter endereço no Japão. Passou disso, o resgate não pode mais ser pedido.

Mas repare no lado bom: se o prazo passar, seu tempo de contribuição continua registrado — e você continua podendo usar o acordo Brasil-Japão. Perder o prazo do resgate não é o fim do mundo. Às vezes é até melhor.

Fontes oficiais usadas nesta página

Sobre a mudança para 8 anos: circula na internet que o teto do resgate subiu de 5 para 8 anos em abril de 2026. Na data desta publicação, a página oficial do Japan Pension Service — atualizada em 1º de abril de 2026 — ainda informa o teto de 60 meses (5 anos). Por isso usamos 5 anos aqui. Quando a mudança for confirmada na fonte oficial, atualizamos esta página e a data no topo.

Perguntas frequentes

Quanto eu recebo de volta do nenkin se voltar pro Brasil?

Depende do tempo e do tipo. No kokumin nenkin, é valor fixo por faixa: de ¥53.760 (6 meses) até ¥537.600 (5 anos ou mais), nos valores de 2026. No kōsei nenkin, é a média do seu salário × uma taxa de 0,5 a 5,5. Nos dois casos o cálculo usa no máximo 60 meses — 5 anos.

Preciso de quantos anos pra ter aposentadoria no Japão?

10 anos. Mas o acordo Brasil-Japão, em vigor desde 2012, permite somar o tempo dos dois países pra chegar nesse mínimo. 7 anos aqui + 3 de INSS no Brasil = 10 anos.

Se eu pegar o dinheiro de volta, perco a aposentadoria japonesa?

Sim, perde. Ao receber o resgate, todo o seu tempo no Japão é apagado do sistema, como se nunca tivesse contribuído. Você deixa de poder usar esse tempo no acordo Brasil-Japão. É a decisão mais importante desta página: o resgate paga no máximo 5 anos, mas apaga todos os anos que você tem.

Qual é o prazo pra pedir o resgate?

2 anos a partir da data em que você deixou de ter endereço no Japão. Passou o prazo, não dá mais. Mas o seu tempo de contribuição continua registrado e ainda serve pro acordo Brasil-Japão.

Qual a diferença entre kokumin nenkin e kōsei nenkin?

O kōsei nenkin é o da empresa: sai no holerite, custa 18,3% do salário e a empresa paga metade (você paga 9,15%). O kokumin nenkin é de quem não tem empresa: valor fixo de ¥17.920 por mês em 2026, pago inteiramente por você. O da empresa rende aposentadoria maior, porque acompanha o salário.

O tempo do INSS aumenta o valor da aposentadoria japonesa?

Não. Ele serve pra você ganhar o direito ao benefício. O valor que o Japão paga é calculado só sobre os meses contribuídos no Japão. O tempo brasileiro conta pra sua aposentadoria brasileira. Você não recebe duas vezes pelo mesmo período, mas passa a ter direito nos dois países.

O nenkin é obrigatório? Posso escolher não pagar?

É obrigatório. Quem trabalha registrado é inscrito automaticamente no kōsei nenkin e o desconto vem no holerite — não tem como recusar, e vale pra qualquer visto, seishain ou haken. Quem não tem empresa é obrigado a se inscrever no kokumin nenkin. Se a renda for baixa existe isenção, mas ela precisa ser pedida na prefeitura. Simplesmente não pagar é a pior opção: mês em atraso não conta nem pro resgate nem pra aposentadoria.

Descontam imposto do resgate? Dá pra pegar de volta?

Sim, descontam 20,42% na fonte. E sim, dá pra recuperar: você precisa nomear um representante fiscal no Japão (nōzei kanrinin) antes de sair, e essa pessoa faz a declaração pra pedir o valor de volta. Muita gente não faz isso e perde esse dinheiro.

Eu já peguei o resgate anos atrás. Dá pra desfazer?

Não dá pra desfazer — o tempo apagado não volta. Mas você continua podendo contribuir de novo, do zero, se voltar a trabalhar no Japão, e esse tempo novo conta normalmente, inclusive pro acordo. Também vale conferir seu tempo de INSS no Brasil: pode ser que você esteja mais perto de uma aposentadoria brasileira do que imagina.

Como sei exatamente quanto tempo eu já contribuí?

Três caminhos: (1) o nenkin teiki bin, envelope que o governo manda pelo correio uma vez por ano perto do seu aniversário; (2) o site Nenkin Net, pra consultar online; (3) ir num escritório do nenkin (nenkin jimusho) com o cartão My Number — eles imprimem seu histórico na hora, de graça.

Escrito por Lian Alves, criadora do Finanças no Japão. Esta página não é aconselhamento previdenciário. Antes de decidir sobre o seu resgate, confirme sua situação num escritório do nenkin. Conheça a metodologia usada aqui →