Furusato Nozei
O que é Furusato Nozei?
Você escolhe uma cidade do Japão, recebe presentes e reduz os impostos que já pagaria. Doando dentro do seu limite, o custo real é de apenas ¥2.000 no ano inteiro. Esta página explica o sistema por dentro: o que ele é, o que ele não é, e para onde o seu dinheiro realmente vai.
¥2.000
por ano*
Resposta rápida
Furusato Nozei é uma forma de direcionar parte do imposto que você já pagaria para uma cidade japonesa. Você faz a doação, escolhe um presente e recebe quase todo o valor de volta como desconto no imposto do ano seguinte.
O único custo fixo é ¥2.000, desde que a doação não ultrapasse o seu limite.
Esta página explica o que o sistema é. Se você já entendeu e quer fazer, o guia completo do Furusato Nozei tem a calculadora de limite e o passo a passo.
Você não gasta dinheiro novo. Você redireciona um imposto que já ia sair do seu bolso — e ganha um presente por isso.
Essa é a ideia inteira. Todo o resto — limite, One-Stop, prazos — é burocracia em volta dessa frase.
O nome engana, e vale saber por quê
“Furusato nozei” é a junção de duas palavras japonesas. Traduzido ao pé da letra, o nome promete uma coisa que o sistema não faz — e é daí que nasce boa parte da confusão.
ふるさと
FURUSATO
Terra natal, a cidade onde você nasceu ou cresceu. Apesar do nome, você não precisa ter nenhuma ligação com a cidade escolhida. Pode doar para qualquer município do Japão, sem nunca ter pisado lá.
納税
NŌZEI
Pagamento de imposto. Mas juridicamente não é imposto: é uma doação (寄附金). Você paga primeiro do próprio bolso, e só depois o valor volta como abatimento — o campo se chama 寄附金税額控除, “dedução por doação”.
Guardar isso resolve dois mal-entendidos de uma vez: você pode escolher qualquer cidade, e o dinheiro sai antes de voltar. Não existe “pagar imposto para outra cidade” — existe doar agora e descontar depois.
O caminho do seu dinheiro
Acompanhe uma doação de ¥10.000, do seu cartão até o seu holerite do ano seguinte.
1. Você doa
Escolhe uma cidade e paga com cartão, como numa compra online.
−¥10.0002. A cidade recebe
O município usa o dinheiro no orçamento dele — escola, saúde, obras.
+¥10.0003. O presente chega
Semanas depois, a cidade envia um produto da região para a sua casa. Por lei, ele vale no máximo 30% do que você doou.
até ¥3.000 em produto4. O imposto cai
A partir de junho do ano seguinte, o seu imposto residencial vem menor, mês a mês, até completar o valor.
+¥8.000No fim da história você gastou ¥2.000 e ficou com um produto que valeria até ¥3.000 no mercado.
O imposto que “voltou” não é lucro — é a devolução do que você adiantou. O seu ganho é o presente.
Exemplo com uma doação de ¥10.000 feita dentro do limite pessoal e com o procedimento fiscal concluído. Os ¥2.000 são fixos por ano, não por doação: quem doa ¥10.000 e quem doa ¥50.000 dentro do limite paga os mesmos ¥2.000 no ano inteiro.
Uma doação de ¥10.000, mês a mês
A parte que mais confunde iniciante é o tempo: entre pagar e ver o desconto passam mais de seis meses. Veja o calendário de quem doa em novembro de 2026.
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Novembro de 2026
Você doa e paga
Os ¥10.000 saem da sua conta agora. Na hora de fechar o pedido, você marca a opção do One-Stop para não precisar declarar imposto depois.
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Dezembro de 2026 a janeiro de 2027
O presente e o formulário chegam
Vêm separados e em ordens diferentes — às vezes o presente primeiro, às vezes o papel. Receber o presente não significa que a parte fiscal está resolvida.
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Até 10 de janeiro de 2027
O formulário precisa chegar na prefeitura
Este é o único prazo que realmente derruba gente. Se o papel não chegar a tempo, o desconto não acontece sozinho — só declarando imposto até março.
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Maio a junho de 2027
Chega o aviso do imposto residencial
É o documento onde dá para conferir se o desconto entrou. O campo a procurar é 寄附金税額控除.
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Junho de 2027 a maio de 2028
O desconto aparece diluído no holerite
Não cai dinheiro na conta: o imposto descontado todo mês vem menor, até somar os ¥8.000 ao longo do ano fiscal.
Repare que a doação de novembro de 2026 só termina de fazer efeito em 2028. Quem pretende sair do Japão nesse meio-tempo precisa de cuidado redobrado — o imposto residencial do ano seguinte só é cobrado de quem está registrado no país em 1º de janeiro, e sem imposto não há o que descontar.
Para onde vai, de verdade, o dinheiro que você doa
Essa parte quase nunca aparece em português. O governo japonês publica todo ano quanto das doações sobra de fato para as cidades, depois de descontar presente, frete, taxa de portal e administração. Nos números mais recentes, referentes ao ano fiscal de 2025, pouco mais da metade chega ao município.
| Cada ¥10.000 doados | Fica com | % |
|---|---|---|
| Sobra para a cidade usar | ¥5.210 | 52,1% |
| Custo do presente | ¥2.650 | 26,5% |
| Administração da prefeitura e taxa do portal | ¥1.360 | 13,6% |
| Frete, divulgação e taxa de pagamento | ¥790 | 7,9% |
| Total doado | ¥10.000 | 100% |
Percentuais nacionais do ano fiscal de 2025, publicados pelo Ministério de Assuntos Internos e Comunicações em 31 de julho de 2026. Valores em ienes calculados por nós a partir desses percentuais e arredondados — a soma das parcelas arredondadas pode não fechar exatamente em ¥10.000. A proporção varia de cidade para cidade.
Existe um teto legal para tudo isso
O presente não pode passar de 30% do valor doado — é regra da lei de impostos locais. E o custo total de captação (presente + frete + divulgação + portal + administração) não pode passar de 50%. Em 2025 o custo total ficou em 47,9% na média nacional, ou seja, perto do teto.
A partir de 2026 a regra aperta: o governo passou a exigir que uma parcela mínima do dinheiro sobre para o município, subindo em etapas — 52,5% em 2026, 55% em 2027, 57,5% em 2028 e 60% a partir de 2029. Na prática, a tendência é o presente encolher um pouco em relação ao valor doado nos próximos anos.
Vale registrar também que 97,2% das doações passam por um site intermediário (Rakuten, Amazon, Furusato Choice e afins). Esses portais receberam ¥149,0 bilhões em 2025 só de taxas e serviços, sem contar presente e frete — o equivalente a 11,5% de tudo que foi doado no país. É um negócio grande, e é bom saber disso antes de tratar o sistema como caridade pura.
O que o Furusato Nozei não é
Descartar o que ele não é costuma explicar mais rápido do que descrever o que ele é.
Não é dinheiro de graça
Você não fica mais rico. Paga o mesmo imposto de sempre, mais ¥2.000, e recebe produto no lugar.
O ganho real é o presente, não o desconto.Não é cashback
Não cai dinheiro na conta pelo One-Stop. O que acontece é o imposto do ano seguinte vir menor, diluído mês a mês.
É abatimento futuro, não estorno.Não é isenção de imposto
Ninguém paga menos imposto no total. O valor apenas muda de destino: sai da cidade onde você mora e vai para a que você escolheu.
Mesmo imposto, endereço diferente.Não é investimento
Não existe rendimento, nem risco de mercado, nem valor que cresce. O retorno é fixo e conhecido desde o começo.
É uma troca, não uma aplicação.Não é doação pura
Só cerca de metade do que você doa sobra para a cidade. Se o seu objetivo é ajudar, doar sem escolher presente entrega bem mais.
Sem presente, quase tudo chega lá.Não é só para japoneses
Não existe regra de nacionalidade. O que vale é pagar imposto residencial no Japão e ter renda tributável suficiente.
Brasileiro residente pode usar normalmente.De onde veio esse sistema
O Furusato Nozei nasceu de um problema demográfico, não de uma ideia de marketing. Muita gente cresce no interior — estudando em escola pública paga com imposto local — e se muda para Tóquio ou Osaka ao começar a trabalhar. A partir daí paga imposto na cidade grande, e o município que a criou fica sem receita e sem população.
O Ministério de Assuntos Internos e Comunicações montou um grupo de trabalho sobre o assunto entre junho e outubro de 2007, e o sistema entrou em vigor em 2008, com a reforma da lei de impostos locais. A ideia era deixar a pessoa devolver parte do imposto para a região de origem, por escolha própria.
| Ano | O que aconteceu | Doado no ano |
|---|---|---|
| 2008 | O sistema entra em vigor | ¥8,1 bilhões |
| 2015 | Criado o One-Stop, que dispensa a declaração de imposto — e o volume dispara | ¥165,3 bilhões |
| 2019 | Regra do teto de 30% para o presente, e obrigação de ser produto da região | ¥487,5 bilhões |
| 2024 | Passa de ¥1 trilhão pela primeira vez | ¥1,27 trilhão |
| 2025 | Proibida a distribuição de pontos pelos portais (out/2025) | ¥1,33 trilhão |
Valores por ano fiscal japonês (abril a março), do levantamento anual do Ministério de Assuntos Internos e Comunicações. O ano de 2025 corresponde ao exercício encerrado em março de 2026.
Em números redondos: o sistema saiu de 54 mil doações no primeiro ano para quase 60 milhões em 2025 — o valor total multiplicou por cerca de 164 vezes. No imposto de 2026, 11,5 milhões de pessoas tiveram algum abatimento por Furusato Nozei, num total de ¥952,4 bilhões deduzidos.
Se você mora no Japão e ainda não usa, faz parte de uma minoria que encolhe todo ano.
Quem recebe e quem perde
Como o imposto muda de destino em vez de desaparecer, para cada cidade que ganha existe outra que deixa de arrecadar. Normalmente é a cidade onde você mora.
Mais receberam em 2025
- Izumisano, Osaka — ¥23,0 bi
- Shiranuka, Hokkaido — ¥22,3 bi
- Miyakonojō, Miyazaki — ¥21,6 bi
Cidades pequenas com produção agrícola ou pesqueira forte lideram a lista há anos.
Mais perderam no imposto de 2026
- Yokohama — −¥37,3 bi
- Nagoya — −¥21,5 bi
- Osaka — −¥20,7 bi
São grandes cidades onde mora muita gente que doa para fora. Se você vive numa delas, o seu desconto sai do orçamento da sua própria cidade.
Isso não é motivo para não usar — o sistema é oficial, legal e foi desenhado exatamente para isso acontecer. Mas é uma informação honesta que muda a forma de encarar a escolha da cidade. Vale saber também que 98,2% dos municípios deixam você escolher em que área o dinheiro será aplicado: a categoria mais escolhida em 2025 foi infância e criação de filhos, com ¥194,8 bilhões destinados.
Os mal-entendidos mais comuns de quem está começando
Não são erros de procedimento — são erros de entendimento, do tipo que faz a pessoa desistir ou se frustrar depois.
Então eu ganho o presente e o dinheiro de volta?
Você ganha o presente. O dinheiro que volta é o mesmo que saiu — é devolução, não prêmio. Somando tudo, você pagou ¥2.000 a mais no ano e ficou com produto na despensa.
Preciso doar para a cidade onde eu moro ou de onde eu vim.
Não. Pode ser qualquer município do Japão, sem nenhuma ligação com você. A única exceção é a sua própria cidade de residência: doar para ela não dá direito a presente.
Vou doar bastante porque volta tudo mesmo.
Volta até o seu limite pessoal, que depende da sua renda e das suas deduções. O que passar disso não volta — vira gasto puro. É por isso que a conta vem antes da escolha do presente.
Recebi o presente, então deu tudo certo.
Presente e desconto são dois processos separados. A cidade envia o produto assim que você doa, independentemente de você ter concluído a parte fiscal. Dá para receber o presente e não receber desconto nenhum.
Cheguei ao Japão este ano, já quero aproveitar.
Provavelmente ainda não compensa. O desconto abate o imposto residencial do ano seguinte, que é calculado sobre a renda deste ano. Quem chegou há pouco quase não tem imposto residencial para abater.
Quer a análise completa de quando compensa e quando não compensa, com cenários? Veja Furusato Nozei vale a pena?.
Perguntas de quem nunca fez
O que é Furusato Nozei, em uma frase?
Por que existe um custo de ¥2.000?
Se todo mundo fizer, o Japão perde arrecadação?
É legal? Parece bom demais.
Preciso saber japonês para entender o sistema?
Qual é a diferença entre esta página e o guia completo?
Fontes oficiais e atualização
Fontes oficiais
Ministério de Assuntos Internos e Comunicações (総務省) — Levantamento anual sobre o Furusato Nozei, edição de 31 de julho de 2026 (PDF) — valores arrecadados por ano desde 2008, composição dos custos, número de doações, dedução no imposto residencial, ranking de municípios e a nova regra de parcela mínima aproveitável.
総務省 — Portal oficial do Furusato Nozei — funcionamento do sistema, teto do presente e regras de designação dos municípios.
総務省 — Grupo de estudo do Furusato Nozei (junho a outubro de 2007) — atas e relatório que originaram o sistema.
Os números deste texto são nacionais e servem para entender a escala do sistema, não para calcular o seu caso. O seu limite pessoal depende da sua renda e das suas deduções — use a calculadora para isso.
Revisão e atualização
Última atualização: 13 de agosto de 2026, com os dados do levantamento oficial publicado em 31 de julho de 2026. Esta página é reaberta sempre que o Ministério publica um novo levantamento ou muda uma regra do sistema.
Entendeu o sistema. E agora?
O próximo passo é descobrir quanto você pode doar sem sair no prejuízo.